- uma amiga está em trabalho de parto
- a uma outra amiga acabou de falecer a avó
- e ainda outra amiga cumpre mais um aniversário
- e eu tenho um boom de trabalho ao qual tenho de dar resposta urgente
E tudo isto é um grão de areia na imensidão do deserto que é a Vida.
Esta Sexta Feira 11 foi muito exigente emocionalmente. Foi encontrado um dador totalmente compatível para o filho do Carlos Martins. Alegria! Morreu o Bernardo Sassetti, uma morte daquelas estúpidas e escusada (não serão todas?). Tristeza... Uma grande amiga que está grávida soube que, afinal (stupid needle.. :P), vai ter um menino, e está radiante. Alegria! Uma outra grande amiga divorciou-se de uma vida em comum, que já ia em 8 anos de rodagem, e está completamente perdida. Tristeza...e vazio. E esta música outra vez:
Passou o Natal, o Ano Novo.
Passou um Janeiro difícil.
Passou o 1º aniversário do meu filho.
Passou toda a temporada pré-Óscares.
Passaram toda uma série de eventos que, em tempos, teriam direito a um post obrigatório. Nem que fosse uma foto com uma frase de duas palavras a servir de legenda.
E de repente tudo muda.
No segundo anterior ouve-se um "vá, faça força, continue, isso mesmo", e de um estado chamado de graça passamos a uma luz que envolve as nossas vidas e oblitera tudo o resto. Essa luz provém de um pequenino ser que colocaram na minha barriga no segundo seguinte. E só fui capaz de dizer "o meu filho..".
Bem vindo Gabriel, amor da mãe.
Vamos viver uma grande aventura, cheia de amor.
E obrigada, amor meu, por estares sempre ao meu lado e partilhares esta luz tão grande.
Olho para os últimos meses e sorrio. Parece que passaram muito rápido, mas ao mesmo tempo não. Aquele choque inicial já está longe do meu pensamento. Sinto que o meu estado actual é algo que sempre fez parte de mim.
Os enjoos matinais. Suspeitos..
O teste da famácia - positivo!
Mas como sou pessoa ponderada, calma, pode ser engano. Há que ir ao médico comprovar. E a perna, têm de me acompanhar nessa situação.
A ida ao médico. A confirmação. Aquele pontinho no ecrã com 1,6cm, a mexer ao ritmo do coraçãozinho - tumtumtumtumtumtum - tão rápido e forte :)
Uma segunda médica para acompanhar o caso da perna. A odisseia da medicação a tomar. O regresso das injecções - de malditas a benditas, mas traumáticas, sempre. A rejeição de certos alimentos (fritos, gorduras) e a procura e desejo daqueles mais adequados (melão, agrião, laticínios). A Natureza é sábia e o nosso organismo indica-nos o caminho certo :)
A 1ª ecografia, às 12 semanas. O feijãozinho em todo o seu esplendor :) A médica arrisca um palpite sobre o sexo, mas achei prudente salvaguardar possíveis enganos. Mais tarde, confirmou-se, e sem qualquer margem para dúvida: it's a boy :) e será Gabriel.
Pouco a pouco noto que estou a ficar mais lenta, de pensamento, de movimentos, com falhas de memória. Uma clara partilha de recursos :) A barriguinha começa a empinar, mas a roupa ainda serve. Excepto os soutiens; todas as grávidas acabam por ir lá parar um dia, e eu não seria excepção: Pré-Natal. Aconselharam-me os da Zippy mas não gostei muito. Mais tarde descobri os da H&M e também são bons. Só às 18 semanas é que investi em calças de grávida. A ver: Modalfa e H&M.
Também não escapei à dúvida cruel que assalta todas as marinheiras de primeira viagem: será que é o bebé a mexer ou são gases? Não há que ter vergonha de assumir, a nossa tripa também mexe e, sim, é legítimo confundir nas primeiras vezes. Até porque os primeiros movimentos do bebé são muito ténues. Nada daqueles pontapés de futebolista - isso é mais para a frente.
Tive a certeza pelas 18 semanas :) O que ajudou a desfazer as dúvidas foi o local da barriga onde senti movimento: mais em baixo, onde só poderia estar o útero. É uma emoção sem fim. É vida dentro de mim!
O carinho da família e dos amigos. É um calor que nos envolve e aquece o coração. Sente-se a energia positiva a transitar de pessoa em pessoa. É tão bom :)
Impossível não lembrar esta canção. E ler o amor que sinto pelo meu filho nas entrelinhas da letra:
Mas dou-vos um bónus; esta panca do mê Dabid já tem uns aninhos (tal como a minha ;) e a prova está aqui, num momento alto do magnífico concerto da Aula Magna:
Depois do trágico fim do meu Estrela, clube pobre mas honrado (pelo menos no que diz respeito aos adeptos), eis que se ergue o sucessor. Aquele que vai ocupar o título de Gandalf da 1ª liga: perde com os pobres, barra os maus, e presta vassalagem ao Glorioso. Ladies and gentlemen, meet Os Belenenses!
Fragile Like a baby in your arms Be gentle with me I'd never willingly Do you harm
Apologies Are all you seem to get from me But just like a child You make me smile When you care for me And you know
It's a question of lust It's a question of trust It's a question of not letting What we've built up Crumble to dust It is all of these things and more That keep us together
Independence Is still important for us though (we realise) It's easy to make The stupid mistake Of letting go (do you know what I mean)
It's a question of lust It's a question of trust It's a question of not letting What we've built up Crumble to dust It is all of these things and more That keep us together
Kiss me goodbye When I'm on my own But you know that i'd Rather be home
Quero agradecer desmesuradamente à rapaziada do Gato Fedorento o ter resgatado o espírito de A Noite da Má Língua.
Foi o programa de culto dos meus tempos do secundário, amplamente discutido entre colegas no dia seguinte à transmissão. Acho que o pouco que sei sobre política aprendi com eles :)
Faz falta ao país abordar a política com humor. Tem sido com cada chicotada! E veio na altura perfeita :o)
Disclaimer: Para críticas mais técnicas sobre o concerto de Sábado passado, é favor consultar sites da especialidade.
Ultimamente tem sido raro para mim ter wishes coming true. Não digo que a vida não me tenha oferecido coisas boas, nada disso! Falo de desejos como, por exemplo, era fixe que a Olá lançasse um gelado de papaia, ou que a rede de metro de Lisboa fosse 1/5 da de Londres. Ou era bem fixe se os The Killers viessem a Portugal.
Há muito tempo que não gostava assim de uma banda. Nem achava que fosse possível voltar a acontecer. Acho que desde os meus tempos de teenager inconsciente, com muitos ésses. As voltas que o meu mundo deu, o afastamento em relação à música durante os dark times, as transformações próprias dos anos que passam. Até que o quentinho reconfortante que a música provoca no coração regressou de vez. O facto de a idade ser outra, assim como a rotina, as obrigações e responsabilidades, levam a que, de um modo geral, a malta receba novas bandas/músicas/arte de uma forma diferente que aos 15 anos (quando não havia net e a Bravo imperava em posters e lyrics).
Para mim, saber as letras de todas as músicas e cantá-las a plenos pulmões num concerto é plausível num gig de Bon Jovi. Hoje em dia não há tempo/pachorra/whatever para tal aconteça com uma banda do agora (salvo mê Dabid, que mesmo assim já leva com 11 anos de vida no meu coração).
Mas i'll be damned em como The Killers vieram mudar tudo isto! Foi muito intenso, por tudo isto e muito mais. Torna-se complicado transfomar em palavras as emoções que me percorrem as veias quando relembro o concerto. O Sam's Town (o meu filme sonoro favorito da banda) que não saiu do leitor do meu carro durante semanas, a frescura das canções do Day & Age, a recuperação do Hot Fuss (e encontrar velhas conhecidas que não sabia o nome). E enquanto a música tocou nestes últimos anos, eu sorri, cantei, amei, sofri, arrepiei-me, imaginei, desiludi-me, sonhei.
E depois deste testamento, ainda não consegui deitar cá para fora o que senti.
Basicamente, magic soaked my spine. But more than you'll ever know..